Dificílimo!

Acordei novamente... Pobre de mim, ter acordado para mais um dia! Preferia um descanso eterno, algo mais duradouro! Ai, como odeio amar-te tanto, vida. Odeio tanto que começo a ficar louco e ferido deste amor, à qual julgo que deve ser eterno. Estou consumido desta droga que já me corroí. A ferida, que cada vez mais rasga, faz com que seja tão difícil acordar, e remontar o passado com o presente! É tão difícil conjugar os dois, mas tão difícil, que às vezes preferia nunca mais abrir os olhos. Não consigo perceber. Juro que tento, mas não consigo! Mudei, mas mesmo assim é difícil perceber. No passado rejeitado, no presente amado. No passado destruído, no presente exaltado. No passado ignorado, no presente admirado. No passado tudo tão diferente, que me impossibilita de acreditar no presente!
Não consigo aceitar os elogios, estou desprovido disso! É tão difícil ver qualidades, num mar de defeitos... e eu começo a afundar-me, e cada vez vejo menos luz! Adeus! Submeti-me ao mar, foi mais forte que eu, não resisti...desculpa, nunca pensei poder ceder tão facilmente. Mas estava tão desprotegido, que qualquer arma, me feria... que qualquer arma, me matava! Meu coração era frágil e negro sentia-se ameaçado. Ele estava completamente rasgado de tanta arma, que cessava fogo contra ele! Mas sempre se reconstituía, mas a cada pedaço remontado... era um pedaço que da minha alma roubado e consumido para construir, meu pobre coração! Porquê tanta bala de insulto? Porquê tanta bala com defeito?
E porque me tentavam curar com elogios? Quem estará correto? Quem cessa fogo contra mim, ou quem me cura? ... Não obtive resposta, por isso deixei-me conquistar pelas ondas... Agora afundado, sinto o toque suave, de quem me quer curar, das algas; sinto a corrente leve criada pelos peixes, que por mim rodopiam, e me fazem sentir protegido; oiço os assobios dos golfinhos, como quem me quer despertar e me aconselhar, aquece-me tanto o coração; oiço também um canto profundo, não sei se serão das sereias ou até mesmo de todos os mamíferos. Mas oiço um canto tão belo, que me embala e traz-me o conforto; Vejo, sinto, oiço ... tão maravilhosa a sensação de conforto, de carinho, ... ! Finalmente sinto a proteção, daqueles que vêm para além dos meus defeitos...
Afinal não me afoguei neste mar, mas sim encontrei o descanso, o amor, o carinho, o afeto de todos aqueles que penso que me amam! Continuo a respirar, continuo vivo ...

Sem comentários: